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Habilidades Metafonológicas

POSTADO POR META | 20/02/2020

Começaremos nossa conversa lembrando que leitura e escrita são sistemas de linguagem que envolvem atividades complexas dependentes de processos psicolinguísticos e neurocognitivos. São atos linguísticos que exigem uma reflexão sobre a fala, sobre o código alfabético e o manejo do mecanismo de conversão letra/som (grafofonêmico) na leitura e som/letra (fonografêmico) na escrita. Essa reflexão se dá em todos os aspectos da linguagem: fonológico, morfológico, sintático e semântico, porém é a habilidade metalinguística, em seu nível fonológico que permite que a criança se capacite para a percepção e manipulação dos segmentos sonoros da língua, partindo das unidades mais amplas, palavras e sílabas, até a mais sofisticada e complexa, o fonema. Essa consciência fonológica fará com que a criança faça a descoberta do princípio alfabético, ou seja, da relação som/letra com todas as suas variáveis. Sendo assim, vale ressaltar que a aquisição do sistema fonológico - representação mental dos fonemas e a adequada produção articulatória - será a base do processo de alfabetização, uma vez que o alfabeto é a representação gráfica dos fonemas.
Desenvolver as habilidades metafonológicas significa partir de um conhecimento implícito para um conhecimento explícito dos elementos sonoros da língua, para que a criança adquira a consciência de que as palavras são constituídas por sequências de fonemas os quais se alterados podem mudar o seu significado. É a percepção de que frases podem ser divididas em palavras, palavras em sílabas, sílabas em fonemas, além da percepção de segmentos sonoros semelhantes como na rima e na aliteração.
O desenvolvimento das habilidades metafonológicas se inicia através da linguagem oral em torno dos 4 anos de idade, porém tem uma relação de causalidade recíproca com a leitura e escrita. O nível de habilidade de análise fonológica que a criança já possui facilita o aprendizado da linguagem escrita, e esta, por sua vez, contribuirá para o desenvolvimento posterior da consciência fonológica nos seus níveis mais complexos.
A aquisição dessas habilidades segue um crescente de complexidade que se inicia por volta dos 4 anos com a percepção das rimas; entre 5 e 6 anos com a manipulação silábica (ex.: boneca/ tira o ca=boné); entre 6 e 7 anos com a segmentação (ex.: cavalo/ca-va-lo/c-a-v-a-l-o), transposição (ex.: lobo/bolo; ia/aí); e aliteração (carro/caneta; beijo/boneca) silábica e fonêmica e aos 8 anos com a produção de rima. Todas essas habilidades devem ser sistematicamente instruídas tanto através de brincadeiras durante a pré-escola como através de atividades mais elaboradas durante o processo de alfabetização, pela sua importância como melhor preditor dentre as medidas cognitivas- linguísticas para a capacidade de reconhecimento de palavras.
Para finalizar, podemos concluir que como o objetivo final da alfabetização é a compreensão de leitura e que para tanto é necessário que o escolar aprenda a decodificar o que está escrito num primeiro momento para depois ter acesso pleno ao texto como leitor, é imprescindível na aprendizagem da leitura e escrita uma reflexão deliberada da fala, ou seja, ter a consciência metafonológica a fim de que esta se torne objeto de sua atenção consciente e possibilite o desenvolvimento da consciência metalinguística em todos os seus aspectos.

Equipe Meta

Imagem: Escola foto criado por freepik - br.freepik.com

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