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Por que o treino da caligrafia?

POSTADO POR META | 26/10/2021

Considerada por muitos educadores como um ato puramente mecânico a caligrafia passou a ser desmerecida em sala de aula gerando, inclusive, repúdio aos poucos que ainda teimam em praticá-la. No entanto, as neurociências têm demonstrado que a letra cursiva representa um papel de extrema importância em todo o processo escolar, especialmente no início da fase de alfabetização.

A alfabetização envolve habilidades cognitivas, linguísticas e motoras, isto é, a capacidade de decodificação das palavras e ação motora adequada para o ato motor da escrita. Enquanto uma criança escreve são necessárias as contribuições de várias funções motoras e cognitivas, além da coativação de diversas áreas cerebrais.

Quando a criança traça a letra cursiva de modo consciente do movimento realizado, observando onde se inicia e termina a letra, o percurso, o tamanho, o espaçamento, a inclinação, a pressão do lápis sobre o papel e o tipo de traçado, como por exemplo, reta, curva ou laço, ativa e fortalece, através da repetição, circuitos neurais. Esses circuitos neurais respondem pela sustentação da atenção, planejamento, programação das ações e controle de impulsos. Um conjunto de habilidades, chamado de funções executivas, que é de extrema importância para todo o processo de escolarização.

A letra cursiva exige movimentos mais complexos se comparada à letra bastão, e a ação motora envolvida nessa atividade através da repetição constante contribui para a memorização da forma ortográfica da palavra escrita. Ou seja, ao associarmos processos neurais visuais, fonológicos e motores aumentamos a capacidade de memorização ortográfica.

Em termos do processo de desenvolvimento manual, estudos indicam que após o terceiro ano de vida a criança adquire a capacidade de movimento de preensão e manipulação dos objetos. Aos 4 anos, ela já segura o lápis com o polegar, o dedo indicador e o dedo médio, faz cópias de círculos e realiza esboços. Aos 5 anos, segura o lápis com maturidade para realizar pinturas. No desenvolvimento típico, a caligrafia se desenvolve rapidamente no Primeiro Ano do Ensino Fundamental, entre 6 e 7 anos, evoluindo dos 7 aos 8 anos, tornando-se automática e organizada por volta dos 8 aos 9 anos.

Após um tempo de exercício e treinamento da caligrafia há um processo de automatização, ou seja, o movimento passa a ser cada vez mais rápido, inconsciente e eficaz, exigindo menor esforço, permitindo, assim, uma escrita mais legível num ritmo fluente, e funcional, e essa fluência na escrita se torna uma ferramenta disponível para facilitar o desenvolvimento das ideias.

Há, portanto, bons argumentos que sustentam que a caligrafia pode e deve ser introduzida de modo efetivo desde o início do Primeiro Ano do Ensino Fundamental.

Cardoso, M H, Capellini, S A (2017) Compreendendo os transtornos específicos da aprendizagem ? Vol 1. Compreendendo a disgrafia -Ribeirão Preto-SP: Booktoy Sartorio, R Neurociência. Leitura e escrita: um universo que se amplia. Neurobiologia do Desenvolvimento, 47 (14/08/2020) Oliveira, J B Novos alertas da neurociência para a importância da caligrafia - Domínio da letra cursiva foi abolido das escolas brasileiras, junto com muitas boas ideias e práticas que faziam e ainda fazem sentido in revista Veja (07/06/2021)

Imagem: Escola foto criado por pch.vector - br.freepik.com

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